Mariana López

Você, Verdade, na Verdade

14 de novembro de 2012 a 31 de janeiro de 2013

Uma instalação é uma ficção.

Uma instalação é a encenação de uma ficção. Uma instalação é uma ficção colocada no abismo. Uma instalação é uma ficção que expõe seus mecanismos de ficcionalização. Uma instalação expõe mecanismos de ficcionalização. Uma instalação é uma ficção que expõe os mecanismos com os quais se ficcionalizou algo. Uma instalação é uma ficção que expõe os mecanismos com os quais alguém ficcionalizou algo. Esse alguém já não existe. Esse algo já não existe. O que se ve é uma cena. É a cena de uma ficção: um ambiente fechado ao exterior por grossas cortinas de tecido, que bem poderiam estar cobrindo algumas janelas, algumas latas, elementos de trabalho, caixas de papelão, CDs, pequenas pinturas e alguns objetos sobre as caixas. O que se ve na ficção desta cena: os indicios de alguém que esteve trabalhando na encenação de uma ficção. Por trás da cortina: o depósito, os mecanismos. A encenação de uma ficção que encena a encenação de uma ficção. A ficção encenada na enceanção da ficção é a gênese do macio.

Monica Millan

Aranha

14 de novembro de 2012 a 31 de janeiro de 2013

Mónica Millán sempre surpreende. Não importa quanto de sensível e refinado possamos detectar nas qualidades já reconhecidas da sua obra: esta é, invariavelmente, motivo de assombro e maravilha. Ainda não conseguimos explicar como foi possível enfiar esses brocados de linhas delicadíssimas que embelezam com orgânica naturalidade a superfície do lenço em uma exuberância imperial de arborizados cenários subtropicais, ornamentos vegetais, discretas aparições de fauna autóctone e flora selvático-subaquática, minuciosas transcrições dos ícones da história natural, de exemplares botânicos reconfigurados e misturados no surto estival de luxuosos e ligantes rizomáticos.

Mais agora, Millán se deixa levar por esse rapto de ventosa dispersão que parece ter soprado sobre seus arábicos jardins afastando-os da cena, diminuindo mais radicalmente que nunca a roupagem de seus dilatados morros gráficos no mudo recato do lenço cru, para abstrair-se e abster-se da predominância deles, levada a examinar a intervenção lírica de novas sonoridades, nesta chamativa síntese rítmica de enjoiados motivos de flutuação.

Éder Roolt

Festa Anticonformista

8 de agosto a 28 de agosto de 2012

Ambigüidade é o nome do jogo aqui. O artista Éder Roolt carrega nas tintas para pôr em xeque noções culturais de real e realismo, de reprodução e identidade, de padrão e desvio. Bebendo na fonte do hiper-realismo, do qual ao mesmo tempo desconfia profundamente, Roolt cria uma linguagem própria de pintura figurativa – que passa então a distorcer e tencionar conforme a necessidade do tema abordado ou da iconografia eleita.

A exposição de Éder RoolT ajuda a separar o joio do trigo no contexto da pintura de seu tempo. Pelo contraste que propiciam em relação a boa parte da produção vigente, suas telas evidenciam o quão complacente e apaziguadora é a pintura praticada nos ateliês paulistanos hoje em dia (porque não se compromete com nada, tem medo de fazer escolhas ou defender o que quer que seja, e acaba esvaziada pela banalidade). Sua pintura, ao contrário, é crítica. Seu discurso é sofisticado. Sua técnica, impecável. E está em boa companhia: Marilyn Minter, Montean & Rosenblum, Eric Fischl, Rudolf Stingel e Dan Colen são alguns dos artistas com quem sua obra dialoga.

Juliana Monachesi

Luiz Alphonsus

Máquina de Voar

4 de setembro a 6 de outubro de 2012

O espaço, a fronteira final, onde os opostos se atraem, matéria e anti-matéria em equilíbrio quântico. Fim e início se tocam num ambiente que se expande em aceleração, galáxias em constante dispersão, colisões de campos gravitacionais que se irmanam.  

Volumes exatos, sólidos, superfícies brilhantes e lisas, um ideal mecânico. Nestes trabalhos de Luiz Alphonsus, a técnica apurada é motor de vital importância. As telas nos remetem a painéis de máquinas, satélites, e supõe métodos técnicos, objetivos e precisos. Em outras acelerações, o brilho metálico da tinta-chumbo, reflete a massa das matérias que compõe a pintura. Gravitações cromáticas deformam a geometria do espaço-tempo, e nos convidam para um mergulho ao microcosmos do artista, revelando um cuidado repleto de escolhas subjetivas, sobreposições; o virtuosismo técnico de um mestre do desenho/pintura. Luiz pilota uma série de ferramentas e utensílios usados minuciosamente para produzir os efeitos programados, capazes de representar esse lugar entre os limites do interior da sonda e o infinito em permanente expansão. Pintura é a arte do disfarce.

2012

Julia Cseko

Parque de Diversões para a Cabeça

18 julho a 4 agosto 2012

 

Gisele Camargo

Falsa Espera

15 de junho a 12 de julho de 2012

A linearidade formal da obra esconde e contém a explosiva multiplicidade de acontecimentos e simbologias que ali moram, exatamente como os mais belos e obscuros horizontes espalhados pela natureza.

Humana ou não.

Seremos assim aqui todos criadores, respondendo - inventando - a chamada em aberto, vinda do nosso mais ambicioso e receptivo futuro.

Jorge Espinho

Martín Legón

El que Desea y no Actúa Engendra la Plaga. Debemos ser, Despiadadamente, Nuestros Más Despiadados Censores

8 de maio a 8 de junho 2012

 

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Exposição Coletiva

20 de março a 28 de abril 2012

Exposição com Barbara Schall, Benedikt Wiertz,  Bruno Cançado, Guilherme Cunha, Isaura Pena,  Julia Panadés, Mariana Rocha, Raquel Schembri e Ramon Martins